quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Dia não.
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Bons sonhos.
Now I lay me down to sleep,
I pray the Lord my soul to keep,
If I should die before I wake,
I pray the Lord my soul to take.
If I should live for other days,
I pray the Lord to guide my ways.
I pray the Lord my soul to keep,
If I should die before I wake,
I pray the Lord my soul to take.
If I should live for other days,
I pray the Lord to guide my ways.
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inscrições pessoais
Diante do pôr-do-sol.
Temos estas palavras. Agora, é aqui que estamos. Reparaste que utilizo a primeira pessoa do plural, nós, refiro-me, claro, a ti e a mim. Talvez haja outras pessoas a ler este texto mas, agora, neste preciso agora, só podemos ter a certeza acerca de nós, somos os únicos aqui. Eu sei que os nossos corpos estão em algum lugar específico, localizável por GPS, é possível que esteja uma temperatura perfeita nesse lugar, os milagres da climatização, mas também é possível que entre uma aragem gelada pela janela aberta, pela janela aberta do carro,também é possível que esse lugar seja ao ar livre. É possível, mas é pouco importante porque, agora, neste preciso agora, estamos aqui. A nossa atenção está toda nestas palavras.
Alguns, vários, passaram também por aqui, demoraram-se apenas durante quatro ou cinco linhas do início. Depois, tentando reter a a informação essencial, agarraram-se a uma ou duas linhas do meio e do final, infelizmente para eles, nem sempre a informação é o mais essencial. E, dessa forma, não chegaram a sentir aquilo que possuímos por estar aqui, aquilo que realmente importa: este tempo.
Repara na forma como passa este tempo lido. Temos muitas oportunidades para respirar. Se quisermos, apenas pela vontade do nosso entendimento, podemos alongar as palavras para fazer caber nelas os nossos caprichos mais lânguidos. Podemos também, sem pressa, demorarmo-nos na pontuação. Não temos horário rígido para chegar ao ponto final. Quanto lá chegarmos, o mundo estará todo à nossa espera. A propósito, onde está esse mundo enquanto lemos estas palavras?
Espero que tenhas desligado o telemóvel ou, pelo menos, espero que ninguém te ligue. O mundo, esse mundo cronometrado, aqui, é menos do que o horizonte que formos capazes de levantar através da nossa capacidade de imaginar, por exemplo, um pôr-do-sol. Aproveita bem este privilégio que possuímos, vou tentar aproveitá-lo contigo, ainda temos uma boa quantidade de tempo para permanecer aqui, nestas palavras. Olha lá para longe, o sol tão pesado, de cor tão madura, mel, o sol a esforçar-se para segurar os seus contornos, mas a transbordar de si mesmo, a descer a um ritmo que não conseguimos apreender completamente e que, no entanto, ninguém pode impedir. Aproxima-se cada vez mais do horizonte, irá tocá-lo, não tardará a tocá-lo. Temos agora consciência deste instante. E o sol toca o horizonte. Primeiro, fica pousado sobre ele, duas linhas que se tocam, sol e horizonte, um linha e um círculo ardente; depois, a terra abre-se para recebê-lo, o sol entra muito devagar no lugar que lhe pertence, como se quisesse proteger-se, como se regressasse. Mas, mais tempo, e o sol desaparece. Sobre o horizonte, fica o clarão de um sol que existiu, todo o tamanho do passado. E nós ainda estamos aqui, estas palavras. Ainda não sabemos o que acontecerá depois.
José Luís Peixoto, na revista Espiral do Tempo, Inverno 2011.
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José Luís Peixoto
Dia dos Namorados.
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O começo de uma nova etapa.
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instantâneos
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Bons conselhos.
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| imagem daqui. |
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comportamentos
Os bons.
«[...] só os bons duvidam da sua bondade, e é precisamente isso, antes de tudo o mais, que os torna bons. Os maus sabem que são bons, mas os bons não sabem coisa nenhuma. Passam as suas vidas a perdoar aos outros, mas não conseguem perdoar a si mesmos.»
Paul Auster, Homem na Escuridão.
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Paul Auster
Dia Mundial da Rádio.
No passado dia 13 de Novembro de 2011, em Paris, a 36.ª Conferência Geral da UNESCO instituiu, sob proposta da Delegação Permanente Espanhola, o Dia Mundial da Rádio. Comemora-se hoje.
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Monday morning.
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domingo, 12 de fevereiro de 2012
Tarde de mimo.
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Sunday Morning.
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sábado, 11 de fevereiro de 2012
A banda sonora da minha noite...
When they poured across the border
I was cautioned to surrender,
this I could not do;
I took my gun and vanished.
I was cautioned to surrender,
this I could not do;
I took my gun and vanished.
I have changed my name so often,
I've lost my wife and children
but I have many friends,
and some of them are with me.
I've lost my wife and children
but I have many friends,
and some of them are with me.
An old woman gave us shelter,
kept us hidden in the garret,
then the soldiers came;
she died without a whisper.
kept us hidden in the garret,
then the soldiers came;
she died without a whisper.
There were three of us this morning
I'm the only one this evening
but I must go on;
the frontiers are my prison.
I'm the only one this evening
but I must go on;
the frontiers are my prison.
Oh, the wind, the wind is blowing,
through the graves the wind is blowing,
freedom soon will come;
then we'll come from the shadows.
through the graves the wind is blowing,
freedom soon will come;
then we'll come from the shadows.
Les Allemands étaient chez moi,
ils me dirent, "Signe toi,"
mais je n'ai pas peur;
j'ai repris mon arme.
ils me dirent, "Signe toi,"
mais je n'ai pas peur;
j'ai repris mon arme.
J'ai changé cent fois de nom,
j'ai perdu femme et enfants
mais j'ai tant d'amis;
j'ai la France entière.
j'ai perdu femme et enfants
mais j'ai tant d'amis;
j'ai la France entière.
Un vieil homme dans un grenier
pour la nuit nous a caché,
les Allemands l'ont pris;
il est mort sans surprise.
pour la nuit nous a caché,
les Allemands l'ont pris;
il est mort sans surprise.
Oh, the wind, the wind is blowing,
through the graves the wind is blowing,
freedom soon will come;
then we'll come from the shadows.
through the graves the wind is blowing,
freedom soon will come;
then we'll come from the shadows.
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Programa da tarde.
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| imagem vista aqui. |
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pedaço de vida
Saturday morning.
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pedaço de vida
Tenho um decote pousado no vestido e não sei se voltas
Tenho um decote pousado no vestido e não sei se voltas,
mas as palavras estão prontas sobre os lábios como
segredos imperfeitos ou gomos de água guardados para o verão.
E, se de noite as repito em surdina, no silêncio
do quarto, antes de adormecer, é como se de repente
as aves tivessem chegado já ao sul e tu voltasses
em busca desses antigos recados levados pelo tempo:
Vamos para casa? O sol adormece nos telhados ao domingo
e há um intenso cheiro a linho derramado nas camas.
Podemos virar os sonhos do avesso, dormir dentro da tarde
e deixar que o tempo se ocupe dos gestos mais pequenos.
Vamos para casa. Deixei um livro partido ao meio no chão
do quarto, estão sozinhos na caixa os retratos antigos
do avô, havia as tuas mãos apertadas com força, aquela
música que costumávamos ouvir no inverno. E eu quero rever
as nuvens recortadas nas janelas vermelhas do crepúsculo;
e quero ir outra vez para casa. Como das outras vezes.
Assim me faço ao sono, noite após noite, desfiando a lenta
meada dos dias para descontar a espera. E, quando as crias
afastarem finalmente as asas da quilha no seu primeiro voo,
por certo estarei ainda aqui, mas poderei dizer que, pelo
menos uma ou outra vez, já mandei os recados, já da minha
boca ouvi estas palavras, voltes ou não voltes.
Maria do Rosário Pedreira
mas as palavras estão prontas sobre os lábios como
segredos imperfeitos ou gomos de água guardados para o verão.
E, se de noite as repito em surdina, no silêncio
do quarto, antes de adormecer, é como se de repente
as aves tivessem chegado já ao sul e tu voltasses
em busca desses antigos recados levados pelo tempo:
Vamos para casa? O sol adormece nos telhados ao domingo
e há um intenso cheiro a linho derramado nas camas.
Podemos virar os sonhos do avesso, dormir dentro da tarde
e deixar que o tempo se ocupe dos gestos mais pequenos.
Vamos para casa. Deixei um livro partido ao meio no chão
do quarto, estão sozinhos na caixa os retratos antigos
do avô, havia as tuas mãos apertadas com força, aquela
música que costumávamos ouvir no inverno. E eu quero rever
as nuvens recortadas nas janelas vermelhas do crepúsculo;
e quero ir outra vez para casa. Como das outras vezes.
Assim me faço ao sono, noite após noite, desfiando a lenta
meada dos dias para descontar a espera. E, quando as crias
afastarem finalmente as asas da quilha no seu primeiro voo,
por certo estarei ainda aqui, mas poderei dizer que, pelo
menos uma ou outra vez, já mandei os recados, já da minha
boca ouvi estas palavras, voltes ou não voltes.
Maria do Rosário Pedreira
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Maria do Rosário Pedreira
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
World Press Photo.
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| foto de Samuel Aranda. |
Foi anunciada esta tarde em Amesterdão a foto vencedora do World Press Photo de 2012. A fotografia foi tirada no passado dia 15 de Outubro, num hospital de campanha no Yemen.
Mais informações aqui.
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referências
Friday night.
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Surpresas.
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refúgios cinematográficos
O juiz sem medo #3
A los que hoy brindarán con champán
Madrid, 9 de febrero de 2012
Maria Garzón Molina
Esta carta está dirigida a todos aquellos que hoy brindarán con champán por la inhabilitación de Baltasar Garzón.
A ustedes, que durante años han vertido insultos y mentiras; a ustedes, que por fin hoy han alcanzado su meta, conseguido su trofeo.
A todos ustedes les diré que jamás nos harán bajar la cabeza, que nunca derramaremos una sola lágrima por su culpa. No les daremos ese gusto.
Nos han tocado, pero no hundido; y lejos de hacernos perder la fe en esta sociedad nos han dado más fuerza para seguir luchando por un mundo en el que la Justicia sea auténtica, sin sectarismos, sin estar guiada por envidias; por acuerdos de pasillo.
Una Justicia que respeta a las víctimas, que aplica la ley sin miedo a las represalias. Una Justicia de verdad, en la que me han enseñado a creer desde que nací y que deseo que mi hija, que hoy corretea ajena a todo, conozca y aprenda a querer, a pesar de que ahora haya sido mermada. Un paso atrás que ustedes achacan a Baltasar pero que no es más que el reflejo de su propia condición.
Pero sobre todo, les deseo que este golpe, que ustedes han voceado desde hace años, no se vuelva en contra de nuestra sociedad, por las graves consecuencias que la jurisprudencia sembrada pueda tener.
Ustedes hoy brindarán con champán, pero nosotros lo haremos juntos, cada noche, porque sabemos que mi padre es inocente y que nuestra conciencia SÍ está tranquila.
A ustedes, que durante años han vertido insultos y mentiras; a ustedes, que por fin hoy han alcanzado su meta, conseguido su trofeo.
A todos ustedes les diré que jamás nos harán bajar la cabeza, que nunca derramaremos una sola lágrima por su culpa. No les daremos ese gusto.
Nos han tocado, pero no hundido; y lejos de hacernos perder la fe en esta sociedad nos han dado más fuerza para seguir luchando por un mundo en el que la Justicia sea auténtica, sin sectarismos, sin estar guiada por envidias; por acuerdos de pasillo.
Una Justicia que respeta a las víctimas, que aplica la ley sin miedo a las represalias. Una Justicia de verdad, en la que me han enseñado a creer desde que nací y que deseo que mi hija, que hoy corretea ajena a todo, conozca y aprenda a querer, a pesar de que ahora haya sido mermada. Un paso atrás que ustedes achacan a Baltasar pero que no es más que el reflejo de su propia condición.
Pero sobre todo, les deseo que este golpe, que ustedes han voceado desde hace años, no se vuelva en contra de nuestra sociedad, por las graves consecuencias que la jurisprudencia sembrada pueda tener.
Ustedes hoy brindarán con champán, pero nosotros lo haremos juntos, cada noche, porque sabemos que mi padre es inocente y que nuestra conciencia SÍ está tranquila.
Madrid, 9 de febrero de 2012
Maria Garzón Molina
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
A imagem de vento
No princípio, desenvolveu a ideia de que o arco-íris era
uma ponte: aparecia sobre os barcos, no fim dos temporais,
e o marinheiro da gávea avistava uma mulher de cabelos
de ouro, agitados pelo vento, a atravessá-la; alguns desses
marinheiros enlouqueceram. Conheceu-os, durante os meses
em que estudou os costumes dos portos – sentavam-se à
parte, nas tabernas, e acendiam uma vela. Diziam que o brilho
da chama evocava os cabelos dourados dessa mulher; e
que o azul do álcool os fixava, como um olhar celeste.
Tentou, então, viver essa experiência: embarcou num velho
cargueiro e, durante dois ou três anos, percorreu os mares.
Mas nunca encontrou a deusa; nem os arco-íris formavam
o arco completo da ponte que imaginara. Também ele enlou-
queceu, e dizem que sobe ao telhado da casa, nas noites
de temporal, e grita pelo sol, a quem dá um nome de mulher;
até ficar rouco e o trazerem para o quarto. Aí, até
adormecer, murmura esse nome sem corpo, sem imagem, sem luz.
Nuno Júdice
uma ponte: aparecia sobre os barcos, no fim dos temporais,
e o marinheiro da gávea avistava uma mulher de cabelos
de ouro, agitados pelo vento, a atravessá-la; alguns desses
marinheiros enlouqueceram. Conheceu-os, durante os meses
em que estudou os costumes dos portos – sentavam-se à
parte, nas tabernas, e acendiam uma vela. Diziam que o brilho
da chama evocava os cabelos dourados dessa mulher; e
que o azul do álcool os fixava, como um olhar celeste.
Tentou, então, viver essa experiência: embarcou num velho
cargueiro e, durante dois ou três anos, percorreu os mares.
Mas nunca encontrou a deusa; nem os arco-íris formavam
o arco completo da ponte que imaginara. Também ele enlou-
queceu, e dizem que sobe ao telhado da casa, nas noites
de temporal, e grita pelo sol, a quem dá um nome de mulher;
até ficar rouco e o trazerem para o quarto. Aí, até
adormecer, murmura esse nome sem corpo, sem imagem, sem luz.
Nuno Júdice
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Nuno Júdice
O juiz sem medo #2
Baltazar Garzón foi hoje condenado num dos três processos que contra si correm em Espanha. Está impedido de exercer a profissão nos próximos 11 anos
A minha opinião quanto a estes julgamentos, já a manifestei aqui.
Uma vergonha.
Para saber mais, ver aqui.
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Definições.
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Thursday morning.
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Just because.
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The whirling world.
I turned silences and nights into words.
What was unutterable, I wrote down.
I made the whirling world stand still.
Arthur Rimbaud
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Arthur Rimbaud
Aprendizagem.
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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Quando pela noite chegas dissolvem-se as trevas
Quando pela noite chegas dissolvem-se as trevas
e eu partir não quero, porque esta é a noite
que ilumina o dia, canto do silêncio, eco subtil
no discurso do mundo. Quando pela noite chegas
é meu o teu amor, e a morte tarde doce como mel.
Ana Marques Gastão
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Ana Marques Gastão
Síria, um massacre caucionado.
Mais de cinco mil civis mortos desde Março. Mais de 14.000 detidos. Só na passada sexta-feira, terão sido 200 as baixas entre a população civil da localidade de Homs. Na madrugada de ontem, em poucas horas, a cidade foi bombardeada com mais de 300 "rockets", num dos dias mais violentos da sua história. “Não há refúgio possível”, dizem os sobreviventes, que incendeiam o lixo das ruas na tentativa de confundir os sensores dos mísseis do exército.
É assim o regime da Síria: um algoz sem piedade para com os seus próprios filhos. O jornalista da BBC Paul Wood, o único que até agora conseguiu infiltrar-se no meio dos habitantes daquele bastião da resistência ao regime de Bashar al-Assad, fala em verdadeiro desespero das populações. A coisa não é para menos.
Apesar de haver já um sem número de ex-militares do regime que se passaram para o lado dos rebeldes, ajudando a formar o Exército Livre da Síria, o cenário naquele país do Médio Oriente é de verdadeira guerra civil e sem fim pacífico à vista.
A generalidade da comunidade internacional condena estes massacres, os Estados Unidos da América falam em resolução do conflito com base no diálogo interno e fecharam a Embaixada em Damasco, a França e a Inglaterra já manifestaram apoio aos rebeldes, ao passo que a Rússia e a China querem marcar posição e vetaram a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que propunha que al-Assad aceitasse um plano de transição do poder. Moscovo e Pequim, sob a capa do argumento da não ingerência em assuntos internos de outros países, caucionam desta forma a continuação dos massacres às populações indefesas.
Esta terça-feira mesmo, Sergei Lavrov (ministro russo dos Negócios Estrangeiros) e Mikhail Fradkov (chefe dos serviços de inteligência da Rússia) estão em Damasco para se encontrarem com al-Assad. Os chineses parecem mais discretos, por enquanto.
Com fortes interesses instalados na região (grandes contratos de concessões petrolíferas), russos e chineses querem evitar a todo o custo que a situação síria fuja do seu controlo, como aconteceu, por exemplo, na Líbia. É certo que o regime de Khadafi estava podre e esburacado, ao contrário do de Bashar al-Assad, solidamente assente num punho de aço. Mas o facto de os rebeldes terem prometido o “ouro negro” à França e ao Reino Unido faz toda a diferença.
Além disso, a tomada do controlo do poder na Síria por parte dos rebeldes colocaria em causa o papel do Irão naquela zona do globo. Não apenas pelo petróleo, que possui e que serve de “arma” de chantagem, como também pelas suas pretensões bélicas nucleares.
Qual a relação entre uma coisa e outra? Sem pretender deixar a velha ideia de que “isto anda tudo ligado”, ou de uma qualquer teoria barata da conspiração, é importante recordar que a Síria é comandada pela minoria Alawite, apoiante feroz do Hezbollah e do Hamas; que, como é sabido, recebem muitos milhões de dólares do Irão para atacarem interesses ocidentais e israelitas: caso a maioria Sunni (rebeldes) tome o poder em Damasco, o Hezbollah e o Hamas ficam mais vulneráveis face ao sedento exército israelita – Síria e Israel estão em conflito, aberto ou latente, desde 1948.
Por detrás da cortina, os Estados Unidos rezam para que o Irão fique isolado na região e, assim, seja mais justificável uma acção militar contra Teerão, mesmo que por interposto país: na semana passada, surgiram notícias de planos militares de ataque de Telavive a centrais nucleares iranianas.
Com as mãos manchadas de sangue, o regime sírio está cada vez mais isolado na região e no mundo, agarrando-se ainda e sempre aos “amigos” russos e chineses. Porém, a queda deste regime torcionário parece inevitável. Resta saber é quantos mortos serão ainda precisos.
Publicado hoje, no P3.
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| imagem do filme A Noiva Síria, de Eran Riklis (2004). |
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Porque o hábito faz o monge.
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Long live the Queen.
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memória
Quando as palavras dos outros falam por nós.
O direito da força? Ou a força do direito?
Sou contra o acordo ortográfico e, por feitio, gosto de causas e de afrontamento, em nome de uma ideia.
Acredito também que as reformas só são legítimas quando traduzem um sentimento dominante da sociedade, nascendo, como costuma dizer-se, de baixo para cima, onde mora um Governo que nos representa. E que, quando o sentido é inverso, de cima para baixo – onde moramos nós – essa legitimidade se resume à soberana imperatividade da lei.
No episódio CCB está em causa uma opção: a força do direito ou o direito da força. Mas não apenas isso.
Porque se nenhuma norma é um fetiche intocável, como provam os movimentos de cidadãos, tão raros em Portugal, que exercem uma quase democracia primária, podem manifestar-se organizadamente e chegam ao ponto de obrigar o Poder a alterar uma lei que ofende a maioria da comunidade civil;
E se Vasco Graça Moura (que muito aprecio) faz uso, neste caso, de uma provocação ética cujo conteúdo, confesso, muito me seduz;
Acredito também que as reformas só são legítimas quando traduzem um sentimento dominante da sociedade, nascendo, como costuma dizer-se, de baixo para cima, onde mora um Governo que nos representa. E que, quando o sentido é inverso, de cima para baixo – onde moramos nós – essa legitimidade se resume à soberana imperatividade da lei.
No episódio CCB está em causa uma opção: a força do direito ou o direito da força. Mas não apenas isso.
Porque se nenhuma norma é um fetiche intocável, como provam os movimentos de cidadãos, tão raros em Portugal, que exercem uma quase democracia primária, podem manifestar-se organizadamente e chegam ao ponto de obrigar o Poder a alterar uma lei que ofende a maioria da comunidade civil;
E se Vasco Graça Moura (que muito aprecio) faz uso, neste caso, de uma provocação ética cujo conteúdo, confesso, muito me seduz;
Também é verdade e inquestionável que ao recusar-se deliberadamente, através de um acto público, a perfilhar o acordo ortográfico, esquece-se (?) de que não é um cidadão comum a quem cabe, no limite, uma espécie de direito à desobediência civil, como se o acordo ortográfico violasse princípios fundamentais.
Não: Vasco Graça Moura é um alto representante do Estado e enquanto seu delegado, não pode, por uma questão de deontologia política, questionar o estado-de-direito e as suas próprias manifestações de vontade.
Coerência não é aplicar no seu território público a sua convicção privada.
Coerência seria, sim, aplicar no exercício das suas funções uma lei aprovada pelo Governo de que aceitou ser mandatário (ou não aceitasse).
Lamento, mas é assim. E ele sabe.
Não: Vasco Graça Moura é um alto representante do Estado e enquanto seu delegado, não pode, por uma questão de deontologia política, questionar o estado-de-direito e as suas próprias manifestações de vontade.
Coerência não é aplicar no seu território público a sua convicção privada.
Coerência seria, sim, aplicar no exercício das suas funções uma lei aprovada pelo Governo de que aceitou ser mandatário (ou não aceitasse).
Lamento, mas é assim. E ele sabe.
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refúgios dos outros
É triste.
É triste ir pela vida como quem regressa
e entrar humildemente por engano pela morte dentro
Ruy Belo
e entrar humildemente por engano pela morte dentro
Ruy Belo
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Ruy Belo
Recomeço.
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domingo, 5 de fevereiro de 2012
A banda sonora da minha noite...
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refúgios sonoros
Os Portugueses.
Os Portugueses têm algo de figadal contra todos os que tenham algo de fidalgal. Como as crianças, confundem muito a fidalguia, que é uma simples condição social, com a aristocracia, que é um sistema político em que o poder pertence aos nobres. E, no entanto, como diria Chesterton, não há mérito automático em ser fidalgo, nem vergonha em pertencer decididamente (como eu) à ralé.
Em Portugal a nossa civilização deve muito a duas classes minoritárias. Ambas são gente simples, com posses reduzidas e educação informal. Refiro-me, obviamente, à plebe e à nobreza. O pretensiosismo dominante, seja proletário ou possidónio, seja triunfalista ou disfarçado, encontra-se nas classes restantes, que constituem a grande maioria da população. Mas um pastor ou um pescador é tão senhor como um fidalgo. Como ele, vê o mundo de uma maneira antiga, em que cada coisa tem o seu lugar, o seu sentido e o seu valor. O pior é o operariado, a pequena, média e alta burguesia: enfim, quase toda a gente. É esta gente que se preocupa com a classe a que pertence. Enquanto o pastor e o conde se ocupam, os outros preocupam-se. Os primeiros não querem ser o que não são. Os outros adorariam. Os primeiros aceitam o que são, sem vaidade. Os outros têm sempre um bocadinho de vergonha e por isso disfarçam, parecendo vaidosos. Quem é fidalgo e quem é que quer ser?
Em Portugal existem três classes distintas. Há a classe dos fidalgos – os meninos “bem”. E depois há duas classes falsamente afidalgadas. Há os meninos “queques”, filhos de pais “queques” mas com avós que não. E há os “betinhos”, filhos de pais que, simplesmente, não.
O “menino bem” é aquele que não sabe muito bem em que século começou a fortuna da família. Geralmente é pobre, com a consolação irritante do passado rico. É muito bem-educado e jamais se lembraria de lembrar aos outros que é “bem”. O “queque” sabe perfeitamente que foi o avô ou o bisavô que abriu a fábrica ou a loja que enriqueceu a família. Geralmente é bastante rico. Embora tenha frequentado os colégios correctos, tem sempre um enorme complexo de inferioridade em relação aos “meninos bem”, o que o leva a fazer-se mais do que é. De bom grado trocaria grande parte da sua fortuna pela antiguidade e pelo prestígio de um bom título.
Finalmente, o “betinho” é aquele cujo pai nasceu pobre, indesmentivelmente operário. O betinho procura dar-se, em vão, com queques e meninos bem, mas a sua educação é formal e institucional, não familiar. É o mais rico de todos, mas é também o mais envergonhado. O betinho por excelência é aquele que não suporta a vergonha de um pai nascido entre o povaréu. Evita apresentá-lo aos amigos. Tudo faz para ocultar a sua proximidade genealógica ao vulgacho.
Tanto o queque como o betinho são o resultado de self-made man, homens que se levantaram pelas próprias mãos, quantas vezes rudes e calejadas e tudo o mais. O menino bem, em contrapartida, nem sequer compreende o conceito de self-made man. Porque é que um homem se há-de “fazer a si próprio” quando houve sempre pessoal, criados e caseiros, para se ocupar dessas tarefas desagradáveis?
Distinguem-se em tudo. A falar, por exemplo. O menino bem usa todas as formas de tratamento, desde “a menina” – A menina vai levar o Jorge ou vai sozinha no Volvo? – até ao “Psst, tu que fumas”.
O queque, por ser menos seguro, trata toda a gente por “Você”, incluindo os criados e as crianças (o que não é correcto, mas parece). O betinho, a esse respeito, está em absoluta autogestão. Tenta tratar mal aqueles que considera inferiores (demasiado mal) e bem aqueles que considera superiores (demasiado bem). No fundo é um labrego engraxado que julga sinal de aristocracia dizer os erres como se fossem guês.
O que caracteriza o menino bem é o seu total à vontade no mundo. Nunca se enerva, nunca hesita, nunca está muito preocupado. Haja ou não dinheiro. O menino bem dá-se bem com a pobreza e encara o sobe e desce da sorte com a naturalidade com que aceita a circulação do sangue pelas veias. Por isso dá-se bem com toda a gente. Nada tem a perder ou a ganhar.
Os queques não são assim. Pensam que nasceram para o brilho baço do privilégio. Vivem obcecados pelo dinheiro já que é o dinheiro que lhes permite comprar todos aqueles adereços (relógios Rolex, automóveis Porsche) que consideram indispensáveis ao seu estatuto social. Um menino bem, em contrapartida, nunca usa relógio – porque é que há-de querer saber as horas? O queque só se dá com pessoas “do seu meio”. Enquanto o menino bem tem aquele rapport feudal com caseiros, varinas e pedreiros, que constitui uma forma multissecular de intimidade, o queque aflige-se em “manter as distâncias” com esse gentião, precisamente por serem tão curtas.
O betinho é uma pilha de nervos. Ninguém o respeita. Dá-se quase exclusivamente com outros betinhos, do mesmo ramo de importação de electrodomésticos ou da construção civil. Não gostam de sair da sua zona. Os de Lisboa, por exemplo, só quando há uma emergência é que saem do Restelo. Ao contrário dos queques, evitam falar em dinheiro porque se sentem comprometidos. Esforçam-se mais por serem meninos bem do que os queques, que julgam já serem meninos bem. Andam sempre vestidos pelas lojas mais tradicionais (camisa aos quadradinhos, casaquinho de malha, jeans novinhos e mocassins pretos com correiazinha de prata ou berloques de cabedal), ao passo que os queques compram roupa mais moderna na boutique da moda. Escusado será dizer que os autênticos meninos bem andam sempre mal vestidos, com a camisola velha do pai e as calças coçadas do irmão mais velho. A única diferença é que as camisolas e as calças que têm em casa duram cem anos. Os avós já compram camisas a pensar que hão-de servir aos netos. Aliás, os fidalgos são sempre mais forretas que a escória.
No que toca aos hábitos alimentares, os meninos bem comem sempre em casa. Como as famílias são geralmente muito grandes (de resto, como sucede com o populacho), a comida é quase sempre do tipo rancho, ou sempre servida com muito puré de batata.
Os queques estão sempre a almoçar e a jantar fora, em grupos grandes com muitos rapazes e raparigas a exclamar: “Ai, já não há pachorra para o quiche lorraine!” Aqui se denunciam as suas verdadeiras origens sociais. Para um menino bem, comer fora é uma espécie de solução de emergência, quando não dá jeito comer em casa. Para um queque é um prazer.
Nas casas bem, a qualquer hora do dia, há sempre uma refeição a ser servida a um número altamente variável de crianças, primos, criadas, motoristas, tias, etc.
Nas casas queques as refeições variam conforme os convidados. Nas bem são sempre rigorosamente iguais. Os queques têm a mania dos restaurantes – conhecem-nos tão bem como os meninos bem conhecem (e odeiam) as cozinheiras. E os betinhos? Os betinhos tentam evitar as refeições o mais possível. Comem sozinhos em casa (os betinhos tendem a ser filhos únicos) ou levam betinhas a jantar. Porquê? Porque têm a paranóia de serem “descobertos” através dos modos de estar à mesa. Mas, na verdade, só são descobertos pelo seu excesso de boas maneiras. Um betinho à mesa está sempre “rijo”, atento, receoso de tirar uma azeitona por causa do terror de não saber lidar com o caroço. Os queques comportam-se como animais, espetando garfos nas mãos estendidas dos outros, soprando pela palhinha para fazer bolinhas no Sprite e atirando os caroços para martirizar o cocker spaniel. Quanto aos meninos bem, encaram as refeições como uma simples necessidade fisiológica. Comem e calam-se. Falam só para dizer “passa a manteiga” ou “Parece que houve uma revolução popular em Lisboa, passa a manteiga.
Não são, portanto, os fidalgos que dão mau nome à fidalguia – são os queques e betinhos. Estes cultivam ridiculamente os “brasões” e as “quintas”, fingindo que não gostam de falar nisso. Em contrapartida, nas casas fidalgas, os filhos das criadas experimentam os lápis de cera nos retratos a óleo dos antepassados...
Miguel Esteves Cardoso, Os meus Problemas
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Miguel Esteves Cardoso
Sunday Morning.
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instantâneos
sábado, 4 de fevereiro de 2012
O tempo.
O tempo tem aspectos misteriosos:
Um ano passa a toda a velocidade,
E um minuto, se estamos ansiosos
Parece, às vezes, uma eternidade.
Um dia ou é veloz ou pachorrento
- depende do que está a acontecer -
O tempo de estudar, pode ser lento.
O tempo de brincar, passa a correr.
E aquela terrível arrelia
Que até te fez chorar, por ser tão má,
deixa passar o tempo. Por magia,
Quando olhamos para trás, já lá não está.
Rosa Lobato Faria
Um ano passa a toda a velocidade,
E um minuto, se estamos ansiosos
Parece, às vezes, uma eternidade.
Um dia ou é veloz ou pachorrento
- depende do que está a acontecer -
O tempo de estudar, pode ser lento.
O tempo de brincar, passa a correr.
E aquela terrível arrelia
Que até te fez chorar, por ser tão má,
deixa passar o tempo. Por magia,
Quando olhamos para trás, já lá não está.
Rosa Lobato Faria
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Rosa Lobato Faria
Saturday.
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comportamentos
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Sometimes.
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constatações
Definições.
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esperanças
Declaração de interesses.
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instantâneos
Particularidades.
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pedaço de vida
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Entre os teus lábios
Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
Eugénio de Andrade
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
Eugénio de Andrade
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Eugénio de Andrade
Something stupid.
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constatações
Reflexões matinais.
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perspectivas
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
ninguém meu amor
Ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Podem utilizá-lo nos espelhos
apagar com ele
os barcos de papel dos nossos lagos
podem obrigá-lo a parar
à entrada das casas mais baixas
podem ainda fazer
com que a noite gravite
hoje do mesmo lado
Mas ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Até que o sol degole
o horizonte em que um a um
nos deitam
vendando-nos os olhos
Sebastião Alba
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Sebastião Alba
Fevereiro.
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pedaço de vida
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