quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Illusions.
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constatações
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
A vós. A nós. A todos.
Vós que viveis tranquilos
Nas vossas casa aquecidas
Vós que encontrais regressando à noite
Comida quente e rostos amigos:
Considerai se isto é um homem
Quem trabalha na lama
Quem não conhece paz
Quem luta por meio pão
Quem morre por um sim ou por um não
Considerai se isto é uma mulher
Sem cabelos e sem nome
Sem mais força para recordar
Vazios os olhos e frio o regaço
Como uma rã no Inverno.
Meditai que isto aconteceu
Recomendo-vos estas palavras.
Esculpi-as no vosso coração.
Estando em casa andando pela rua
Ao deitar-vos e ao levantar-vos;
Repeti-as aos vossos filhos.
Ou então que desmorone a vossa casa
Que a doença vos entreve,
Que os vossos filhos vos virem a cara.
Primo Levi, Se isto é um homem
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Primo Levi
Porque a vida é o que fazemos dela.
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percursos
Desejos
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| imagem encontrada aqui |
Pudessem todas as minhas manhãs começar assim: ao ar livre, com um café forte e um livro como companhia. Sem correrias, sem compromissos, sem horários.
Só eu, um café, um livro e os meus sonhos.
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desejos
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Sous le ciel de Paris...
Sous le ciel de Paris
S'envole une chanson...
Elle est née d'aujourd'hui
Dans le cœur d'un garçon.
Sous le ciel de Paris
Marchent des amoureux...
Leur bonheur se construit
Sur un air fait pour eux.
Sous le pont de Bercy
Un philosophe assis,
Deux musiciens, quelques badauds,
Puis les gens par milliers...
Sous le ciel de Paris
Jusqu'au soir vont chanter...
L'hymne d'un peuple épris
De sa vieille cité.
Près de Notre Dame
Parfois couve un drame;
Oui mais à Paname
Tout peut s'arranger:
Quelques rayons,
Du ciel d'été,
L'accordéon,
D'un marinier,
L'espoir fleurit...
Au ciel de Paris!
Sous le ciel de Paris
Coule un fleuve joyeux...
Il endort dans la nuit
Les clochards et les gueux.
Sous le ciel de Paris
Les oiseaux du Bon Dieu...
Viennent du monde entier
Pour bavarder entre eux.
Et le ciel de Paris
A son secret pour lui:
Depuis vingt siècles, il est épris
De notre Ile Saint Louis!
Quand elle lui sourit
Il met son habit bleu...
Quand il pleut sur Paris
C'est qu'il est malheureux.
Quand il est trop jaloux
De ses millions d'amants...
Il fait gronder sur nous
Son tonnerr' éclatant.
Mais le ciel de Paris
N'est pas longtemps cruel...
Pour se fair' pardonner...
Il offre un arc en ciel!
Edith Piaf
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refúgios sonoros
A realidade
Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.
Alberto Caeiro
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.
Alberto Caeiro
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Alberto Caeiro
Pedaço de vida # 3
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pedaço de vida
domingo, 16 de janeiro de 2011
Os amigos
Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos. Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nas cartas que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices... Até que os dias vão passar, meses... anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo... Um dia os nossos filhos vão ver as nossas fotografias e perguntarão: "Quem são aquelas pessoas?" Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos. Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nas cartas que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices... Até que os dias vão passar, meses... anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo... Um dia os nossos filhos vão ver as nossas fotografias e perguntarão: "Quem são aquelas pessoas?" Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!
"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!". A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
E, entre lágrimas abraçar-nos-emos. Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes desde aquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida te passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades... Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
E, entre lágrimas abraçar-nos-emos. Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes desde aquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida te passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades... Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Fernando Pessoa
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Fernando Pessoa
O assassino e a vítima
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| imagem de Mirela Momanu |
Todavia, o que é, para mim, absolutamente impossível e impraticável, é a manutenção da indiferença ao despautério de comentários, opiniões, atoardas e bitaites verdadeiramente homofóbicos, preconceituosos e mesquinhos que, a cada passo, vamos vendo por aí.
Por isso, faço minhas as palavras de Paulo Pinto, que transcrevo.
E com isto, ficamos conversados.
A frase que transcrevo acima não é um resmungo qualquer. É o comentário mais votado à notícia do Correio da Manhã do "não sou gay nunca mais". O mais votado, por larga margem, praticamente o dobro dos votos do que se lhe segue. Curiosamente, o que consta no cabeçalho da edição online de hoje como "o mais votado" tem cerca de 1/3 dos votos daquele, mas é igualmente significativo: "O Renato matou-o fisicamente e o carlos castro matou o miúdo psicologicamente. Isso também é crime."
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refúgios dos outros
sábado, 15 de janeiro de 2011
Perchè ti Amo
Perchè ti amo, di notte son venuto da te
così impetuoso e titubante
e tu non mi potrai più dimenticare
l'anima tua son venuto a rubare.
Ora lei è mia
del tutto mi appartiene nel male e nel bene,
dal mio impetuoso e ardito amare
nessun angelo ti potrà salvare.
Herman Hesse
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Herman Hesse
Espero
Espero sempre por ti
o dia inteiro,
Quando na praia sobe,
de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.
Sophia de Mello Breyner
o dia inteiro,
Quando na praia sobe,
de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.
Sophia de Mello Breyner
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Sophia de Mello Breyner Andresen
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Para embalar os sonhos.
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refúgios clássicos
Gosto das mulheres que envelhecem
Gosto das
mulheres que envelhecem,
com a pressa das suas rugas, os cabelos
caídos pelos ombros negros do vestido,
o olhar que se perde na tristeza
dos reposteiros. Essas mulheres sentam-se
nos cantos das salas, olham para fora,
para o átrio que não vejo, de onde estou,
embora adivinhe aí a presença de
outras mulheres, sentadas em bancos
de madeira, folheando revistas
baratas. As mulheres que envelhecem
do tempo nos seus seios. Por isso esperam
que o dia corra nesta sala sem luz,
evitam sair para a rua, e dizem baixo,
por vezes, essa elegia que só os seus lábios
podem cantar.
Nuno Júdice
mulheres que envelhecem,
com a pressa das suas rugas, os cabelos
caídos pelos ombros negros do vestido,
o olhar que se perde na tristeza
dos reposteiros. Essas mulheres sentam-se
nos cantos das salas, olham para fora,
para o átrio que não vejo, de onde estou,
embora adivinhe aí a presença de
outras mulheres, sentadas em bancos
de madeira, folheando revistas
baratas. As mulheres que envelhecem
sentem que as olho, que admiro os seus gestos
lentos, que amo o trabalho subterrâneodo tempo nos seus seios. Por isso esperam
que o dia corra nesta sala sem luz,
evitam sair para a rua, e dizem baixo,
por vezes, essa elegia que só os seus lábios
podem cantar.
Nuno Júdice
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| Golda Meir |
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Nuno Júdice
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
As palavras
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| imagem de Ewa Brzozowska |
– O que é que se pode perguntar das pessoas com palavras? O que vale a resposta que uma pessoa dá com palavras e não com a realidade da vida?... Vale pouco – diz com determinação.
– São poucas as pessoas cujas palavras correspondem por completo à realidade das suas vidas. Talvez seja esse o fenómeno mais raro na vida. Na altura, ainda não o sabia. Agora não me refiro aos mentirosos, aos safados. Só penso que conhecer a verdade, adquirir experiências, de nada serve, porque ninguém consegue mudar o seu carácter. Talvez não se possa fazer mais nada na vida que adaptar à realidade com inteligência e cautela essa outra realidade inalterável, o carácter pessoal. É a única coisa que podemos fazer. E mesmo assim, não seríamos mais sábios, nem mais protegidos… Quero falar contigo, e ainda não sei se tudo aquilo que eu possa perguntar e tudo aquilo que tu possas responder não alterará os factos. Mas é possível a gente conhecer os factos, aproximar-se da realidade com a ajuda de palavras, perguntas e respostas: por isso quero falar contigo. (…)
Sándor Márai, As velas ardem até ao fim
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Sándor Márai
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Delicatessen
![]() |
| Audrey Tautou |
ela é uma moça de poses delicadas, sorrisos discretos e olhar misterioso. ela tem cara de menina mimada, um quê de esquisitice, uma sensibilidade de flor, um jeito encantado de ser, um toque de intuição e um tom de doçura. ela reflete lilás, um brilho de estrela, uma inquietude, uma solidão de artista e um ar sensato de cientista. ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e de ser por completo. dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. ela tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna.
Caio Fernando Abreu
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Caio Fernando Abreu
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